quinta-feira, 29 de novembro de 2012

considero

Considero que o sideral está longe e está bem perto.
Considero que falo bastante por ofício.
Eu considero falar menos e estou conseguindo falar apenas um pouco mais do que o suficiente.
Considero não saber exatamente o que é suficiente, já que o suficiente para mim é alguma coisa transbordante.
O resto que transborda é suficiente, porém também isso é prova cabal da minha insistente egoística.
Adoro considerar fazer um pouco mais do que eu mesmo quero gostar.
O querer é realmente uma mola propulsora.
Leva-me ao mais sideral do considerável mundo puro da convicção

domingo, 25 de novembro de 2012

gotas

A última gota de esperança não existe.
A torneira goteja porque a borrachinha está frouxa.
As gotas parecem iguais, mas não são as mesmas.
Cada gota vai tocando o fundo do tanque e de tanto que toca, vai modificando a louça vitrificada do fundo.
A modificação é inevitável e aí está a continuidade da esperança.
Nós somos responsáveis diretos por esse tipo diferente de observação.
Uma forma de olhar constante, que vibra com aquilo que está escondido na semelhança das coisas e dos fatos.
Nem todas as gotas têm a mesma cor.
Lá está o rei de sangue azul, revirando a gaveta sem maçaneta

sábado, 24 de novembro de 2012

creação

Era uma entrevista onde o repórter falava com um morador da favela incendiada.
Esse morador espefífico, não teve a sua casa destruída pelas chamas.
O repórter insistia que ele havia tido sorte e ele insistia que tinha muita fé.
Parece-me muito ilustrativo esse acontecimento.
É fé, ou sorte, quando algo muito feliz acontece?
É sorte, ou fé, quando algo desastroso acontece?
Por que deus deixou que algo terrível acontecesse, não é uma pergunta que hoje se faça.
O que é dito hoje, é que só quando estamos conjugados com os ensinamentos dele é que ele pode nos ajudar com as coisas que necessitam de uma força maior do que a gente pode ter, ou é capaz de disponibilizar.
Essa é a pregação contemporânea.
Como quase tudo que é moderno, faz sentido e é muito racional.
Que sorte eu ter fé na crença do instante onde tudo acontece

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

carbono

Que linda a concentração de gás carbônico na atmosfera.
É a atmosfera do capital de giro.
Se não vendemos carros não temos emprego e sem emprego não compramos nada e se não compramos eles não vendem e se não vendem não podemos batalhar e fazer campanhas por um ar melhor para o respiro e sem respiro a gente não tem condições de ouvir os grilos no campo e sem campo não tem soja e se sujarmos, tem quem limpe.
Que linda a paisagem cheia de cores, luzes e movimentos nos dando a impressão que o tempo passa mais rápido.
É importante que a nossa vida passe bem depressa para que não precisemos ficar assistindo por mais tempo o show dessa realidade tão asfixiante.
Adoro oxigênio, mas com carbono tudo fica mais eletrizante.
Li uma pergunta idiota:
Nesse mundo tudo se compra?
Não, nesse mundo tudo se vende, afinal precisamos da força de trabalho pra girar a capital, o interior e, de vez em quando, se ainda tivermos algum tempo, a parte que nos é tão íntima