domingo, 16 de junho de 2013

Filme francês


 
 
Um filme francês.
Uma dificuldade incrível para interpretar todas as cenas em conjunto.
A moça - para a totalidade das pessoas que eu entrevistei - pareceu ser uma mulher louca que envenenou o marido aos poucos, aumentando a quantidade da substância receitada pelo médico.
O marido não morreu e ainda a orientou no inquérito para que ela não fosse presa, para salvar o interesse da família.
Eu, ao contrário, achei que o autor da historieta quis que ela mostrasse – durante toda a película -  que o marido levava uma vida muito vulgar e simplista, já que vivia apenas a tradição familiar de enriquecer-se ainda mais, casando-se com ela de forma arranjada.
Tanto assim o quis, que disse no começo do filme que ela também se casava com ele por interesse financeiro e cabia a ele mudar essa situação depois do casamento.
Ele não foi capaz de mudar.
Ela seguiu vivendo sua inteligência que impulsionava o seu encantamento para com o desconhecido e para com outra vida que - ao seu olhar - seria mais surpreendente.
De toda forma, tudo isso é apenas especulação.
De alguma forma toda vida é um conjunto de especulações e hipóteses.
A placa já diz:
Sorria, você está sendo filmado

domingo, 26 de maio de 2013

gostodeescrever


Ouvi na semana passada muitos jovens dizerem que não gostam de escrever.
Não a escrita a mão.
Não gostam de expressarem-se através de um texto escrito.
Eu, ao contrário, adoro me comunicar através das palavras.
E gosto também de colocar as palavras nas minhas imagens.
Essa semana devo preencher um pedaço de tecido com linhas pretas.
Possivelmente muitas das linhas formarão palavras.
Ora escondidas, ora totalmente aparecidas, as palavras vão ajudar a compor a imagem.
Nesse caso contado, depois de tudo, recortes e costuras vão transformar tudo isso, num objeto novo.
Outra coisa que adoro é isso.
Esse momento onde todos que me lêm ficam pensando qual será o resultado significativo desse blá blá blá textual



Foto de Diana Della Nina Malimpensa

segunda-feira, 29 de abril de 2013

laboratorialassunto

e o seixas já nos orientou para não termos aquela velha opinião formada sobre tudo.
o certo então, se acostumou a passar bem longe, apesar que eu ainda sei o certo das coisas quase todas erradas.
o menino fará o seu bicho amanhã, apesar de ter feito quatro seguranças para o zoo.
essa frase acima tem a ver com um trampo feito com desenho recortado de papel, que será montado sobre outros desenhos coloridos com hidrográficas e lápis de cor.
é certo que devemos gostar muito dos outros como gostamos de nós mesmos, porém eu gosto muito de mim num ponto que tenho cá minhas dúvidas se sou capaz de gostar dos outros como gosto de mim.
por certo descobri que também não adianta gostar tanto assim de mim mesmo, afinal:
eita cara fraquinho!
mais certo ainda é que eu aprendo demais com tudo dos outros.
os certos e os errados, as horas certas e as não tão certas assim.
tudo é um grande laboratório.
lembrei-me do laboratório químico juvenil, suas pipetas e tubos de ensaio.
lembrei-me do sangue do diabo e da tinta invisível

domingo, 28 de abril de 2013

chaves

um conjunto de chaves no chaveiro.
colocadas, uma a uma, numa sequência didática para a abertura das portas.
portas no plural, por questão de segurança.
três.
o desenho diferenciado das chaves, tanto na cabeça como no corpo.
um desenho para cada uma num diferencial essencial para a abertura mais rápida.
essa, essa e aquela, a dedondinha, a de três curvas e a colorida.
abre-te e exponha suas fraquezas.
abro-me para expô-las todas.
abrir uma montanha de vezes para ver se o planalto se inspira

sexta-feira, 26 de abril de 2013

aeiou

a sequência.
um fato após o outro.
a observação que as coisas acontecem no seu horário.
a verdade que existe no fato do mundo ser muito pequeno.
uma história engraçada dentro de tudo isso.
a descoberta de uma namorada do seu pai nesse caminho pequenino.
esse, apenas um fato pitoresco, na descoberta de um caminho aberto para muitos.
se não muitos, alguns de seus eternamente conhecidos.
também existe a redescoberta de vários desenhos, linhas que ainda podem ser conjugadas e apresentadas a um público muito maior.
a sequência não necessariamente horizontal.
tudo indica e aponta para a sua verticalidade.
essa crença não é justa, porém é de uma maravilhidade absoluta

terça-feira, 23 de abril de 2013

criativimovimentalidade

é possível ensinar criatividade?
acredito firmemente que sim, porém essa proposta não é tarefa para ser realizada em um espaço curto de tempo.
para começarmos a aprender criatividade, devemos compreender a arte como um conjunto de ideias - uma ideologia - que busca e/ou visa a representação.
representar é apresentar novamente ao mundo, alguma coisa, de forma diferente do que ela já é, ou foi para o mundo apresentada.
essa representação - em arte - é feita através de linguagens, tais como a música, o teatro, a dança e as artes visuais, entre elas, o desenho, a pintura, a escultura, a gravura, o recorte e colagem, a fotografia, o vídeo, o cinema e a webarte.
quando pensamos, por exemplo, em musicalização, percebemos que a arte é um todo e nela não cabe nenhuma forma de preconceito, sendo que, não só podemos como devemos acrescentar à liguagem musical, aspectos dançantes, teatrais, gráficos, pictóricos, entre tantos outros.
as palavras do hermeto mostram a sua visão que diz que nada fica para trás.
ele nos diz que a vida é circular, portanto o que agora está atrás, amanhã vai estar brilhando novamente na nossa frente.
devo afirmar que não há como trabalhar com crianças, jovens e adultos, uma educação artística, sem nos esforçarmos para criar alguma coisa nova com aquilo tudo que nos é constantemente apresentado

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Eu aprendo

Eu aprendo várias coisas todos os dias.
Isso significa que eu aprendo sempre e a vida inteira.
Aprendi demais quando uma aluna me disse, após ler vários dos meus textos publicados por aqui:
Eu achei lindo demais, é muito lindo, é maravilhoso, é fantástico. O que significa mesmo?
As vezes o significado está puramente na estética do belo, na boniteza.
outras vezes o significado está na fala dos meus amigos biólogos enquanto comiam um creme de aspargos:
A natureza é cruel
É possível ensinar criatividade?
É possível manipular com a forma das palavras, com os sons, os gestos, as formas das coisas todas, Os seus significados, as suas leis, as suas cores?
É sensibilidade, ou é percepção?
É puramente sentir pelos cinco sentidos, ou é colocar esse sentir no processamento cerebral?
Quais resultados, quais produtos resultam desse processo?
Os urubus estavam presos no território da arte, pessoas não quiseram os bichos nesse espaço, pessoas Escreveram, pessoas assinaram, falaram, rangeram os dentes e sorriram amarguradas.
Um dos freuds pinta bem pra caramba.
Pessoas pensam no talento.
Já eu, vejo o chocolate crocante, envelhecer na vitrine da doceria do cinema

domingo, 21 de abril de 2013

urinologicamente

eu vou e volto, volto e vou.
uma dança, um passo.
passo em frente, passo atrás e o hermeto sabiamente disse que o atrás um dia estará na frente iluminando nossos olhos.
segundo ele a vida é circular.
aqui estou eu circulando, mesmo que no passado alguém tenha dito que eu circulava, circulava e não ia ao ponto.
você deve pensar que - então - nada mudou.engana-se.
começo um assunto e todas as outras histórias fazem parte dessa coisa inicial.
a pedagogia diz que o primeiro macro campo é a integração.
ao meu ver tudo remete à integração, até o fato da quantidade de remédios que venho tomando, preventivamente.
o coração é forte e a razão também.
se não fizer sentido, qual a razão?
elimino tudo na urina

sexta-feira, 19 de abril de 2013

desordenagem

sou ansioso.
adoro ficar pensando, pensando e pensando.
tendo ideias e acreditando que a arte é uma ideologia, não uma linguagem.
linguagem da arte é a música, o desenho, a pintura, o teatro e a dança, entre outras.
os jeitos todos que arranjamos para que a arte fale, diga e surpreenda.
sim, nós somos os arranjadores e desordeiros

quinta-feira, 18 de abril de 2013

obviedadesitinerantes

no que consiste a dificuldade em saber o significado da palavra regionalizar?
consiste na razão que há em eu ficar pensando ser óbvio o significado.
óbvio que regionalizar é converter um espaço, ou coisa, em regiões, óbvio que a palavra consiste também não é de conhecimento de todos, enfim, óbvio que nada é tão óbvio assim.
nisso consiste a beleza de aprendermos sempre com todas as coisas que nos aparecem.
também é óbvio que eu preciso estar disposto a aprender constantemente.
esse tal de estar aberto ao aprendizado.
as coisas ensinam, é óbvio.
estou vendo nesses últimos dias um terreno sendo construído, ou seja, máquinas e máquinas escavando a montanhazinha e deixando plano o espaço.
ele é de terra, é cheiroso, é espaçosa a construção da coisa aparentemente sem nada.
quando tudo - o espaço for - provavelmente teremos um edifício cheio de gente e canos

quarta-feira, 17 de abril de 2013

tomandoconta

observar alunos em prova.
provando que aprenderam, resolvendo questões da língua, escrevendo.
daqui a pouco escreveremos todos através do teclado.
uma ferramenta necessária quando temos preguiça de escrever a mão.
preguiça é uma qualidade da espécie humana.
sim, uma qualidade em tempos de pressa, de movimento contínuo, de aflição extrema.
ontem, um garoto roía unhas.
eu disse a ele que era nervo.
eu roí até os quarenta e faz treze anos que não roo mais.
tomando conta da matemática tenho cinquenta e três anos de movimentação contida.
quando bebê, eu era enrolado em cueiros

terça-feira, 16 de abril de 2013

diadodesenhista

desenhista eu?
eu disse, num comentário, que no máximo eu sou um farsante com uma caneta no bolso.
farsante no sentido de ilusionista.
rabiscos, linhas, riscos e traços formando alguma coisa parecida.
aparecida.
aparecida no momento da exposição, da comunicação, da mostra.
o outro em contato com a coisa aparecida, sugere o que é.
uma ilusão, uma suposição, uma hipótese.
abstração sempre o é, já que até a fotografia da coisa é uma possibilidade da coisa dita real.
assim somos nós, os ilusionistas.
eu coloco muito de mim nas suposições.
muito, muito e muito mais de mim.
ao outro cabe o compartilhar da animação.
daqui eu vejo folhas em movimento que sugerem no todo, uma árvore.
dentro dela mora alguma coisa que eu acabei de grafar num pedaço de papel do calendário velho

segunda-feira, 15 de abril de 2013

procurandodireito

anteontem a moça afirmou ser egoísmo da minha parte não mostrar ao mundo as minhas produções artísticoplásticas, que segundo ela são extarordinárias.
hoje, uma aluna mocinha me perguntou por que eu não trabalhava numa agência de publicidade, afinal, ela me acha criativo demais.
ela alcançou essa linha de raciocínio quando dei um exemplo de logotipo feito a partir das letras do meu nome.
respondi que o que eu amo mesmo fazer é ensinar e aprender, usando toda essa criação para esse fim mais produtivo, afinal, muitas dessas pessoas multiplicarão essas loucuras por aí e alcançarão o sucesso.
digo loucuras porque a maioria das pessoas - dentro da norma - não compreende o encaixar de todas essas coisas.
o que eu faço sempre tem a cara de alguém que já fez algo parecido.
acho até que faço direito, mas o esquerdo é que é bacana.
vou procurar o meu esquerdo e já volto

domingo, 14 de abril de 2013

quatrocriatividades

quatro horas sobre criatividade.
sentir antes de saber.
oferecer esse espaço.
conheces hermeto, egberto, tom zé, arrigo, seixas e veríssimo?
sentes o vento, a água, o verde e o carrinho de pipoca?
sente-se, mas não fique esperando sentado.
sinta-se.
pensei numa corrente circular de mãos com seus dedos sobre a veia grande do pulso.
o pulso ainda pulsa sobre várias doenças afetivas e outras nem tanto.
criar um pequeno buraco na dureza.
explicar que o cosmo é beleza e o mundo é pureza.
as palavras e suas sílabas.
toque, toque, toque e se toque.
nesse embalo nos tocamos todos e criamos gado de corte e leiteiro

sábado, 13 de abril de 2013

patorrepresentado

estou assistindo vários filmes e percebendo suas simbologias repetitórias.
cada vez mais me dá vontade de fazer umas imagens em movimento.
contar as histórias das fantasias do hermeto.
uma páscoa a cada palavra.
que incrível a visão sobre o estar sempre seguindo em frente, sabendo a vida circular.
circular sentindo mais do que sabendo para mim é bem difícil.
ele sabe e sente que não é necessário olhar para trás porque aquilo que hoje está atrás, amanhã estará visível na nossa cara.
inacreditável essa fantasia absurdamente real.
um artista e a sua loucura sã.
passa um filme pela cabeça e coincide com a minha visão da não repetição.
para não repetir, faço outra coisa.
voltarei ao cinema.
e sentirei vontade de desenhar um prato

sexta-feira, 12 de abril de 2013

vereficar

ver e ficar.
verificar se tudo está em ordem contrária e ver se - ficar como está - é a forma mais adequada.
adequar é uma coisa que eu exercito constantemente.
admiro quem tem a inadequação como tema e lema, afinal adequar-se a esse mundo contemporâneo é uma coisa de louco.
dizem que os loucos são os inadequados, dizem os sãos.
vou ver e ficar admirando, observando por dentro, apavorando-me adequadamente.
ver e ficar atônito, transpassado, aterrorizado, quase à beira de um ataque de nervos.
eu considero o termo ataque de nervos muito mais legal do que síndrome maníaca.
vejo de longe ao verificar a placa que sinaliza: cuidado depressão.
um buraco à frente.
devo diminuir a velocidade para passar com as quatro rodas.
se a suspensão estiver em ordem, adequada, tudo bem




quarta-feira, 10 de abril de 2013

maisemaisemaisanos

uma aluna gostou muito da minha caixa de materiais.
insistiu para que a mãe a ajudasse a fazer uma parecida para ela.
a mãe disse a ela que não fazia ideia de como fazer a tal da caixa parecida.
a menininha teve a ideia de pedir que eu mandasse para a mãe, por email, uma foto da tal da caixa.
mandei três.
por email, a mãe me agradeceu e disse que ia aproveitar o fim de semana para encapar a caixa junto com a filha.
isso faz duas semanas.
hoje eu estava esperando o meu almoço e vi a menininha passando na minha frente.
passou muito rápido e foi pedir almoço com a mãe, uns três restaurantes acima.
o meu almoço chegou, comi com a rapidez de sempre e pensei:
será que vou até o restaurante delas para cumprimentá-las e saber da caixa, ou vou embora pagar as minhas contas?
ao dirigir-me ao restaurante onde elas estavam, uns psicólogos e alguns psiquiatras dizem que isso faz parte do meu ego de artista e dizem que o que eu quero é aparecer.
aparecer e causar.
algumas outras pessoas, dizem que a fé sem obras não é nada.
dizem e eu fui, crente.
cumprimentei a menininha e a mãe e na conversa rápida e pude perceber a alegria se generalizando.
a fé e as obras.
na minha despedida a menininha me olha lindamente e diz:
estou muito feliz...hoje é o meu aniversário

terça-feira, 9 de abril de 2013

quasenadaenãoseafoga



claro que é dificílimo ter um filho com necessidades especiais.
claro que é terrível sofrer um sequestro relâmpago.
claro que é terrível morar em locais de risco.
claro que é horrível ter nascido e adolescido magricelo e branquelo.
claro que é estranho ter sido chamado de lombriga.
claro que não é bonito estar na praia, vestindo uma sunga azul e ter as marcas de sol apenas no braço e do pescoço pra cima.
claro que não é legal ter o colesterol alto.
claro que não é nada agradável ter um bloqueio de ramo esquerdo.
claro.
o escuro é um lugar onde o outro não aparece.
o escuro, me parece claro, não nos ensina quase nada

segunda-feira, 8 de abril de 2013

sereiandofábulas



a mitologia das sereias.
um oceano inteiro onde os marinheiros são seduzidos pelo canto.
a morte deles é o fim da fábula, ou o início da fantasia.
um corpo cheio de escamas translúcidas, representa a dita.
a lucidez translúcida é algo distante.
a loucura é conduzida pelas diferenças da normalidade.
o normal está fincado na norma e as normas são ditadas pelo poder.
o poder que eu banco é o mais simples.
o que se afasta do dinheiro e da posse.
um poder fantástico e fabuloso.
uns dizem inexistente.
eu o digo presente, descascado pela lucidez do sol

domingo, 7 de abril de 2013

olátemgenteaí?



falam que o esquerdo é sinistro.
uma canção.
lá pelas tantas se diz que a história de alguém que é diferente vai interessar.
e interessa muito.
a diferença incomoda enquanto deveria ser motivo de alegria.
uma alegria que possibilita a mudança de rumo, a busca pela resolução de problemas e um aprendizado interiorizado importantíssimo.
quando um átomo vai em busca de outro, é isso que distrai o coração da gente.
não é um distraído qualquer, é um coração que está a perceber o que se passa ao redor e vai acumulando e expandindo sentimentos lindos.
a lindeza é assim.
passa pelo colar de pérolas circundando a sustentação da cabeça e atinge o esquerdo que anima o tórax

sábado, 6 de abril de 2013

conversordeentendimento

dizem que as pessoas falam o que querem e dizem também que quando é assim, elas ouvem o que não querem.
dizem e falam, falam e dizem.
mais difícil, me parece, é a gente entender o que fala e compreender o que escuta.
parece bem mais difícil escutar, já que já me disseram que temos uma boca e dois ouvidos.
você vai me dizer que essa matemática está errada, porém, é a nossa capacidade de falar que está alterada.
com uma boca só falamos muito mais do que ouvimos.
aprender como se ouve e houve casos onde ouvir é ver, ou vir.
ver, observar, perceber, vem de encontro ao outro e anima a nós mesmos.
pelo menos deveria nos animar, o encontro com a ideia do outro que não necessita casarem-se completamente.
enfim, sem fim, são tantas as marcas deixadas enraizadas pelo passado, que o presente é quase sempre a necessidade de se arrumar a sola do sapato velho

sexta-feira, 5 de abril de 2013

descongestionante

comprei um vidrinho de óleo de copaíba.
disseram-me que cura qualquer doença.
doença é uma coisa ruim que pode ensinar bastante.
coragem, vontade do coração.
de coração.
dê coração para interiores é uma frase minha que encantou o publicitário.
tornar público diminui o risco de adquirirmos várias doenças.
publicar também é interessante.
não desenho todos os dias, mas desenhar é um outro santo remédio

quarta-feira, 3 de abril de 2013

escreveunãoleu

fiquei uns dias sem escrever para provar a minha dita.
não desenho todos os dias, não pinto todos os dias, tenho aversão a ficar fazendo sempre a mesma coisa.
adoro conhecer quem faz xilogravura por trinta anos a fio.
posso desenhar um retrato igualzinho a foto e depois ficar uma ano sem fazer isso novamente.
desenho à grafite e gosto.
escrevia quase todos os dias e resolvi dar uma breve parada.
e foi assim e é assim, gosto muito disso tudo.
o assunto sobre o que mais verso é escola e aluno, adoro.
você pode pensar que as aulas são sempre iguais às dos anos anteriores, mas não são.
as pessoas são diferentes e por conta disso, tudo é diferente - até eu - que aprendi com as diferenças.
antigamente eu tinha certeza de tudo e agora permaneço tendo todas as certezas incertas.
afirmo veementemente e acerto mais do que erro, seguindo uma certa lógica e um certo instinto.
escrevo agora na certeza que você me lê

domingo, 31 de março de 2013

festamaior

ontem foi de noite.
um amigo disse que são importantes as obras, as ações, muito mais do que dizer que se vai todos os domingos na igreja.
outro mencionou que as discórdias entre as religiões são motivos para a descrença nas doutrinas.
simples.
amar os outros como amar a gente mesmo.
ressurge simples essa máxima.
ressurge a esperança porque a esperança é digna de ressurgir já que é necessária à sobrevivência da individualidade..
outra frase importante - porque ontem foi de noite - disse que a natureza é cruel.
nós, os seres naturais pertencemos à essa dita.
se a esperança não ressurge como podemos nos aturar, nos encontrarmos, nos conversarmos, nos civilizarmos?
a crueldade nos é cara, está na cara e nas horas vorazes e nas felizes.
dizem também que o cristo, o mahatma e outros mártires seriam mártires novamente e sempre.
dar a cara à tapa.
silenciar quando fechado no trânsito, esbravejar, andar sobre a calçada, animar com poesia, ressurgir.
ontem foi de noite e de noite é todo dia


sábado, 30 de março de 2013

sábadoaleluia

sábado.
serviço, luta, destreza.
ações normais, normativas, pureza.
foi fechado com pedra e a pedra é fundamental.
um mistério que por ser mistério, convence.
a mim não paira dúvida, simplesmente gera as delícias da imaginação.
viver novamente em mim, em você, na gente.
seguir vivendo nas ações benígnas.
seguir sentindo e sentindo muito, lá dentro, aqui dentro, revivendo a fantástica saga do desejar aquilo que faz bem, que alegra o outro.
é tão difícil ressurgir.
é um bem difícil.
existe a pedra no caminho e no caminho há pedra, porém o pedro é de dureza inestimável.
uma dureza mole.
é o meu desejo estimável nos sete dias  - e nesse - um pouco muito mais

sexta-feira, 29 de março de 2013

paixãoreflexa

a paixão é forte.
essa sexta a representa.
uma morte injusta como parecem todas as mortes, porém essa, tem uma marca ainda mais injusta.
alguém vem nos mostrar que a civilização precisa de uma organização civilizatória que necessita de amor compartilhado para que todos possam existir em comunidade.
as pessoas precisam gostar muito de multiplicar coisas maravilhosas.
um amor de maravilhidade igual ao que a gente tem para com a gente mesmo.
ouvi outro dia que existe no planeta recurso suficiente para que - se fosse compartilhado e disitribuido entre todos - haveria saúde e graça para todos.
o nosso amor que civilizaria a felicidade não existe.
hoje a gente morre.
uma morte justa.
a nossa morte seria injusta se a gente passasse muito mais tempo amando, amando e amando.
esse verbo amar, que muito parece ter com a justiça, encara cada vez mais a cara da inexistência

quarta-feira, 27 de março de 2013

dezparaastrês

dez para as três.
com direito à musiquinha no fundo para marcar um exame.
foi rápido, não doeu quase nada e o horário apresentou-se diretamente compatível.
esperemos o resultado.
ando magrinho como dantes, regimado.
cheirei a embalagem cheia de suflair e me recusei a devorá-lo.
força de vontade disse alguém surpeendido.
acho que é vontade sim, paciência sim e um jato de mel com própolis na garganta pra ver se o vírus me ajuda.
a ajuda vem do alto, vem da crença, vem da gente.
adoro gente e tento aprender com ela.
essa gente mal nutrida e desengonçada, essa da praia frangueada, oleosa e densa.
a tal da gente bonita é fartamente conhecida pelos meios que dizem querem que a gente se reconheça.
hoje olhei a porta do meu automóvel e a enxerguei ainda mais perfeita.
perfeita na confusão dos riscos e das pequenas imperfeições da lata

terça-feira, 26 de março de 2013

comprarranhão

saí para levar a dona cortar o cabelo.
saí com a cabeça na água mineral, no pão e nos frios.
não muita pouca, o bastante.
demos risada suficiente acompanhando o fato da doninha não lembrar o caminho do salão.
um telefonema e o dilema foi resolvido.
ao sair das compras, tive que por atenção em um carro que ia sair da rua em frente e noutro que vinha no sentido contrário.
eu tinha a visão encoberta por um caminhãozinho, parado em frente ao supermercado.
saí, esperei o carro passar e o outro atravessar, mas encostei no caminhão para dar passagem.
encostei tanto que ralei o meu espelho do passageiro e rasguei a porta traseira.
Ragar foi a impressão que tive quando o condutor do caminhão - que tinha um trilho de ferro forte como para choque - olhou para o meu automóvel e me disse:
nossa, coitado do senhor, fez um risco enorme.
ali eu disse a ele:
verei quando eu chegar em casa.
estacionei, peguei as compras, saí tranquilo pela porta arregassada e vi.
não vi nada.
estava tudo como quando eu saí no começo do texto

domingo, 24 de março de 2013

reticularidade

a moça fechou sua bolsinha vermelha com bolinhas brancas.
bolinhas brancas em francês têm graça menor e veja que o francês é bonito pra caramba.
a língua francesa.
a curva francesa talvez não seja mais usada em desenho técnico.
as curvas e a paixão do arquiteto.
arquiteto aqui, na engenharia do texto, um plano para as palavras.
na tridimensionalidade da beleza da cena consta a moça, ocupada pelos fazeres diferentes desse domingo.
fazer sempre a mesma coisa tem o direito de rotina.
o direito da retina, é fazer conversa com a sua esquerda

sábado, 23 de março de 2013

serelepe

andei pensando que eu sou parecido - no jeito - com o meu pai.
ele era conhecido como mestre.
de mestre só tenho o professorado.
talvez ele tenha me ensinado sem saber e eu tenha aprendido de fianco.
de esgueio, eu ando admirando a sua figura através do lembramento.
eu gosto da figura dele, da graça e do desembaraço.
no esconde -esconde, observei.
suas brincadeiras com o verbo e um certo prezar pelo descanso.
adoro lembrar-me dele sem nenhuma tristeza.
incrível como ele está bem perto nessa forma de pensá-lo tão bacana.
de tanto estar perto tenho quase sem saudade.
existe em mim a certeza que ele prefere assim.
ele teve um período radialista.
desta feita, a nossa voz tem a sua vez

sexta-feira, 22 de março de 2013

aprenderendosempre

adoro aprender.
gosto de ensinar.
um garoto esperto fez assim num trabalho chargístico.
desenhou um quadro na parede com um sujeito pensando bolinhas.
no fundo estava escrito:
Isso fará você pensar.
um outro sujeito observa o quadro, também pensando bolinhas.
esse, porém, ao mesmo tempo pergunta:
Pensar?
genial a constatação de que pensar dói e dói bastante.
menos dolorida é a vida sem perguntas, numa espécie de vida leva eu.
eu adoro me levar passeando.
dizem que meu irmão - nessa vida - veio a passeio.
eu sempre achei isso ótimo, até porque ele é um dos caras que eu conheço, que mais pensa.
hoje estou me levando passear no bosque enquanto o tal do seu lobo não vem

quinta-feira, 21 de março de 2013

elétricos

acabei de atravessar a rua direito.
assim pareço pensar na rua direita.
o direito e o avesso, o verso.
penso no verso da terra sendo arada a fim de transformar-se em linhas paralelas.
versos.
o direito da linha é o verso.
quando saio da linha, verso.
isso que a mim diz tanto, a ti não diz nada?
pode não dizer nada mesmo.
digo assim para que entendas que o verso da terra é próprio para o plantio.
esse processo me oferece a flor quando lhe ofereço a semente.
as flores brilham no futuro próximo e no mais distante.
brilham.
aparecem no meio da rua augusta ao gosto de quem luz

quarta-feira, 20 de março de 2013

zoézé

achar a culpa do outro.
sempre o erro está alojado no outro.
perceber que a gente se arruma com percepção da nossa própria desarrumação é bonito demais.
eu tenho algo desarrumado em mim.
sei e fico me orientando a partir desse sublime aprendizado.
a minha relação com os outros é a minha oportunidade de expressar - como resultado - essa minha percepção.
um detalhe no outro e eu me melhoro.
essa melhora se multiplica na conversa - versa e reversa - com o outro.
um presente a um amigo é a felicidade dele e a minha própria realização.
agora - eu aprecio demais esse processo, ter essas ideias.
cada um é dono do seu precioso alegro.
na hipótese de algum, ou vários, oferecerem seu alegro à obviedade da repetição dos clichês, aplausos para ele, ou eles, já que até essa minha oratória pode ser inclinada ao clichê.
acho o clichê chique, nem que seja pra zoar a cara dele

terça-feira, 19 de março de 2013

tradições

hoje é o dia do artesão e dizem que se a pessoa produz peças únicas, então ele é artista.
desta forma o seu dia passa a ser oito de maio e assim segue-se a tradição dos rótulos.
no livro está escrito que o eliseu que era visconti produziu rótulos.
ele foi artista.
foi nada, ele ainda é artista mesmo que não esteja mais produzindo por aqui.
faleceu em quarenta e quatro.
o povo dispara a fazer essa tarefa de polemizar.
arte ou artesanato?
tanto faz, a gente não consegue fazer outra coisa, qual seja trabalhar sobre a ideologia incomum.
hoje, a gente nem produto precisa ter.
bastam as ideias

historicamentebonita

com ciência.
com sabedoria, sabendo, conhecendo o que pode ser ainda concebido.
fazer uma pequena intervenção e produzir sorriso.
abraço.
detalhes que abrem as possibilidades de coração.
sinto um vento frio nessa tarde depois do frango coberto com lascas de alho.
desta feita, o frio é a coisa mais quente que pode acelerar a concepção dessas frases.
cientificamente sei sobre algumas coisas.
emocionalmente sei sobre algumas outras.
a mistureba dessas sabedorias resulta num desenho com contornos pretos.
a meninada pintou o fundo com traços coloridos.
cada imagem à maneira escolhida pela cabeça do dono.
o resultado melhor é visto de longe.
isso é, de longe, a coisa mais bela da história

domingo, 17 de março de 2013

nananenê

o gosto.
que mal há em ser do mesmo jeito que quase todo mundo?
nenhum, questão de gosto.
eu gosto mais de ficar pensando, mexendo, escarafunchando o sentido das coisas.
gosto.
com o acento circunflexo, ou com o agudo, ambos inexistentes na grafia, mas fantásticos na fonética.
adoro a fonética.
um passe de dois metros no futebol pode ser a coisa mais difícil de executar.
pode e eu não gosto, acho medonho de dar dó.
do grande consumo de qualquer coisa não gosto simplesmente, acho desnecessário, mesmo que pareça pãodurice da parte que me cabe.
consumir uma obra artística até ela gritar, será a coisa mais sublime.
no filme, a maravilhosa pintora desconhecida, morreu na gravidez, ela e a criança.
o barco do marido ficou lindo e o moço morreu afogado no fim das contas.
eu faço conta do gosto e gosto.
do filme, dormi no quase

sábado, 16 de março de 2013

menosquência

uma frase, um pio, uma sugestão.
uma questão colocada e uma reunião de argumentos e floreios.
assim funciona uma proposta anunciada por uma simples questão.
fora uma simples questão e tudo não seria tão complexo.
difíceis tomadas de decisões fornecem uma montanha de presente.
uma série de coisinhas misturadas num montão.
assim o colibri voou até o ponto mais alto da região.
ali não se sentiu solitário.
ali encontrou uma pequenina folha dentro de um livro enorme.
dedicou-se a desidratar a folhinha e usando a estrutura como molde, desenhou a única imagem do seu antigo livro branco.
foi ele mesmo que o havia levado no bico, até o cume da montanha

sexta-feira, 15 de março de 2013

fazeres

fazeres burocráticos.
eu não gosto, mas adoro aprender com eles.
papéis além de uma ou mais manchas com aquarela.
além da imaginação e contente com a razão.
a necessidade urgente de receber algo em troca, sendo necessária uma quantidade de documentos. ora maior do que a quantia financeira.
xerox, escaneamento e a gravura vai além da xilo, da pedra, do metal, ou da tela de seda.
é legal, mesmo que as reproduções fiquem escondidas no escuro da gaveta, anteriormente conhecida como mapoteca.
aí está o mapa da mina.
a mina transita pelas esferas da razão, da lógica, da imaginação e da emoção.
o seu mapa é astral e é geográfico.
eu acompanho o caminhar dessa estrada, alcançando junto, o outro lado da rua.
se essa rua fosse minha eu não mandava em nada.
mando meu corpo seguir deveras, admirando

quarta-feira, 13 de março de 2013

disseram


disseram que.
uma frase muito superficial e sem significância alguma.
embora o nome dos bois seja basicamente como o nome da rosa, gente tem nome.
essa identidade a gente já sabe que é múltipla, mutável, generosa com as ondas.
mesmo assim, a gente deve se comprometer com a palavra.
hoje - novamente - veio à ideia falar sobre gatos xadrezes.
propor que muita gente faça o seu gato xadrez desenhado e pintado.
a titularidade seria revestida de: era uma vez, vários gatos xadrezes.
além da imagem o povão poderia escrever quadrinhas de rima dupla.

quero contar outro fato
esse que era mais uma vez
um feito qual história de gato
vidrado no peão do xadrez.

e alguém disse que disseram - que o quê - já era mais uma vez

terça-feira, 12 de março de 2013

umemmuitosblás

blá, blá, blá, coisa linda esse texto.
blá, blá, blá no meu entorno quase sempre tem a ver com conversa séria.
procuro realizar - tornar real - todas as coisas que me pedem por providência.
e o blá, blá, blá tem uma significância grande nesse processo.
outro dia um sujeito quis dizer que a carteirinha cultural criada pelo governo não devia valer somente para o consumo do produto cultural.
esse é um blá necessário para a controvérsia criativa que admite todo tipo de opinião expressiva.
a mim parece que muitas coisas tem a ver com o mercado de cultura.
vamos todos ao mercado a cada segundo.
parece hever pouca coisa fora dos mercados.
hoje, uma mocinha ficou indignada com o fato de um sujeito talentoso do teatro da cidade, ser somente um professor de jovens que desejam ser atores famosos.
esse é um somente fabulosamente fantástico.
tenho encantamento com esse processo de produção que multiplica no outro.
esse sujeito tem um blá, blá, blá que - com o seu produto - desencanta o futuro de muitos, que têm na cabeça apenas um sonho tolo de eternidade tempória semprástica

teatronovoereal

um sorriso fino, delineando uma vontade tranquila de acertar.
toda brincadeira é bem vinda quando a criançada espera pela minha chegada.
vou desmontando a minha estante e apresentando muitas coisas novas para elas.
como é rica a experiência de contribuir para um sorriso conjunto.
não é necessário muito, o pouco basta, mas eu ofereço um pouco mais.
representamos algo que foi escrito por alguém e acrescentamos imagens descoladas na hora.
reaprendo a pensar e agir rápido.
reaprendemos rápido a agir pensando.
a tecnologia aprimora o nosso serviço e é bonito esse movimento.
uma linha e suas múltiplas aplicações aparecem na tela.
na hora, é tudo novo
e a mente cresce, a dúvida aparece e - juntos - escrevemos um novo texto.
e mais sorrisos curvam a linha das nossas bocas falantes

domingo, 10 de março de 2013

cabeçavelha

o menino estava instruído a andar pelo museu seguindo uma ordem racional e cronológica.
não quis saber.
quis fazer a sua própria visita, seguindo a sua intuição.
o menino me ensinou e ensina quase sem saber.
ele tem a forma e o jeito das dúvidas, que ensinam as pessoas espertas e curiosas, provavelmente como eu e ele.
tem um jeito que manipula as imagens nos programas de desenho.
ele desprograma a forma e recompõe com a divina essência da realeza.
o imaginário é um lugar muito mais interessante quando aplicado nas pequenas ações contundentes.
o menino aprecia essa escolha.
menino ainda, tem a condição de sobrevoar a xícara cheia com suco de uva.
dali, ele se expõe e expressa os finos traços da parreira, engalfinhada na tela fina de arame

sábado, 9 de março de 2013

canagin

uma gincana é uma competição onde há vencedores e perdedores.
eu adoro perder dando o meu melhor.
quando eu perco, eu aprendo demais.
os trabalhos que eu considero melhores numa prova de pintura mural, nunca são escolhidos como os melhores.
e eu já aprendi demais com isso.
o meu gosto é complicado demais, ele tem estilo demais, ele tem uma lógica própria, praticamente incompreensível para pessoas dotadas de uma certa normalidade.
e veja que eu já compliquei muito mais do que complico hoje.
na paródia: desse aluno sou eu! um verso dizeia que esse aluno fantástico presta muita atenção nas aulas de arte.
andei pensando que um bicho grande deveria dar o presente para um bicho pequeno.
tenhocerteza que a meninada que preferiu o contrário tem uma razão muito boa para assim ter se expressado.
tema bom é somar atitudes e multiplicar valores, porém os meninos e as meninas têm ciência que a realidade está sendo muito mais bruta.
essa tal brutalidade - de alguma forma - esteve estampada na maioria das imagens.
fui lavar a lata de tinta e espirrei manchas no meu jeans.
acabei de achar - com uma caneta preta - uma realidade graciosa na perna da minha calça quieta

sexta-feira, 8 de março de 2013

minhapêra

adoro pêra mole.
perei no acento do termo.
acho impressionante a doçura das frutas.
frutose.
não por ser uma palavra bonita, mas pelo próprio gosto, pela sensibilidade do paladar e do olfato.
pensei em desenhar uma pêra e o fiz.
ficou bonito, porém ficou meio sem gosto, ou cheiro.
adoro tomate pra molho, mas preferencialmente gosto de comê-lo puro.
os pesticidas lhe eliminam a pureza, mas mesmo assim, gosto muito.
acho que gosto por não ter a mínima ideia das porcarias invisíveis que a gente come todo dia.
gosto de pêras e tomates, desse ou daquele jeito.
na flor das suas peles.
adoro panos de pratos, adornados com frutas planas e arrematados com crochê que imitam florezinhas

quarta-feira, 6 de março de 2013

poema urbe

eu estou muito mais velho e já não reconheço muitas pessoas na rua.
todos têm a fisionomia de trabalhadores jovens que já têm seus filhos nos carrinhos de bebê.
muitos andam sem fazer nada e também esses têm seus bebês nos colos das vovós e nos carrinhos.
muita gente na rua e mais eu.
andando, correndo, atravessando avenidas, raciocinando, tomando mel com própolis.
muita gente no planeta e toda essa gente bonita.
linda de respirar e andar apressada pra não dormir, nem carregar a si mesmo, nem outrem.
gente é sempre linda.
com molho de tomate na camiseta branca, suco de uva e maracujá.
gente é linda.
gente nem precisa de poesia, gente é linda

terça-feira, 5 de março de 2013

o belo

eu tenho um certo orgulho de trabalhar com o belo.
feiúra já basta a minha.
meus produtos artísticos valorizam a beleza.
algo sem hipocrisia.
a beleza é tudo que me encanta, me aguça a curiosidade, enfim, tudo o que me interessa.
existem nessa historia da arte muitas exressãoes bizarras, ou até mesmo muito feias.
arte é vida e também a morte, circunstâncias.
reluto, e muito, em achar feiúra nas pessoas.
quando eu digo sobre a minha, respeito demais as minhas demais belezas.
o que seria do azul se não fosse o rosa púrpura?
não há pacto com a beleza sem a relação com aquilo que me causa estranheza.
nojo não é uma sensação que a mim pertence

segunda-feira, 4 de março de 2013

visto que

como eu lhe conto essa história?
um moço andava preocupado com suas contas´que têm que ser pagas.
preocupava-se porque a sua colocação numa vaga certa, tem a data de chamamento, incerta.
ele conseguiu um serviço com pequeno salário e andava ainda mais preocupado.
eu e a avó dele, insistimos sempre para que ele não se preocupasse tanto, afinal, quem tem uma fé ultramisteriosa, sabe que tudo se resolve.
de alguma forma, resolve até aquela coisa sobre a qual temos única certeza.
e assim seguiu-se até o dia de hoje, onde ele ainda seguia preocupado.
ficou uma hora e meia numa fila para inscrição, após essa espera obteve um telefonema que dizia sobre um serviço de um mês e quando ia seguindo de volta para casa recebeu um outro telefonema revelador.
já nem se lembrava mais de ter prestado um concurso numa pequena cidade da região e foi chamado para a vaga.
você começa amanhã.
ele perguntou à moça que anunciou o chamado:
uma vaga já havia sido preenchida há muito tempo, eu era o quarto da fila e os outros dois?
ela respondeu:
os dois não tiveram condições para assumir o posto.
essa história não pretende ser uma história de cunho misterioso e profético.
ela apenas tem a sua dimensão própria, rica em curiosidade e positivo respeito

domingo, 3 de março de 2013

ventoseluzes

um moço - falando pelo celular - no banco atrás do meu, disse ao amigo:
o motorista disse que o ônibus estará na rodoviária de sorocaba em uma hora e quarenta minutos.
e o moço acrescentou:
até daqui a pouco.
o tempo voa, passa muito rápido.
realmente chegamos na hora prevista e já me encontro em casa, escrevendo.
logo será amanhã.
passarei um pequeno tempo sonhando sobre o colchão.
histórias serão contadas dentro da minha cabeça.
lembrarei, ou não, de algo mais atrasado, ou estranho, ou nada disso.
rotina é a engrenagem de um tempo rápido, cores rápidas vão acelerando a rotina e o movimento dos carros brilhantes fazem voar as folhas de alumínio.
passando pelos buracos dessas folhas, o compositor viu a luz da lua salpicar estrelas sobre o chão de terra.
hoje - as luzes dos helicópteros sentinelas - movimentam essas estrelas, igualmente salpicadas pelo chão

sábado, 2 de março de 2013

filmetriste

um filme sobre o amor.
candidato ao oscar.
no instante que escrevo, não sei se o levou, ou não.
penso que devo me empenhar em produzir filmes.
soube que os críticos elogiaram muito a fita que reabilita a visão clássica do amor.
como é lento o processo e como a morte é um fator sublime na visão amorosa da humanidade.
eu já penso diferente, talvez pela minha incapacidade, ou pela minha arrogância.
gosto muito de uma ação ansiosa, adoro balançar as pernas, acho lindo ficar atento, muito, muito e muito mais atentar para as coisas que aparecem ser tentadoras.
esses símbolos me enriquessem mais do que o travesseiro amassado na cena sufocante.
para eles, trata-se de selar a porta e libertar a pomba.
para mim, trata-se de ansiar pelo controle, por menos remoto que pareça o fato dele estar distante das minhas mãos tão cabeçudas

sexta-feira, 1 de março de 2013

como nique

já escrevi várias vezes sobre isso.
eu não desejo comunicar alguma coisa quando eu escrevo.
eu comunico.
torno comum a forma incomum.
já encontrei algumas pessoas que comunicam como eu.
num caso extraordinário, alguém citou a palavra charada.
comunicamos - eu e alguns - através de charadas.
parece que tudo isso perece na ausência de paciência de quem lê.
é necessária a paciência para encaixar os significados.
a maçã é mais que a sua casca vermelha, ou verde.
quando vermelha, o amarelo teima em aparecer no encaixe do cabo.
nesse instante bato-lhe continência e solto as letras

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

verbo-te

já escrevi isso antes.
escrevi, professei e algumas pessoas admiraram-se em expressões felizes.
eu gosto muito.
a capacidade de amar em mim, é bem pequena, talvez até nula.
sou gente e gente muito amorosa de mim, egoísta como só como a gente mesmo.
porém gosto demais, muitíssimo.
acabei de ver um outdoor onde costava o nome da empresa que fabrica e vende roupas:
ilícito.
só encontrei o sentido dessa coisa ao vestir-me de fora da lei expressa, fora da ordem estabelecida, apenas e tão somente nisso.
talvez você continuará se perguntando sobre qualquer sentido.
certamente eu continuarei andando sobre todo e qualquer sentido.
eu gosto bastante, gosto muito mesmo.
o amor é algo mais sublime, muito mais além, muito fora das leis físico-químicas do meu ser humano vegeto-intuitivo.
eu gosto muito.
muito mesmo

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

quem

quem impermeabilizou a cidade nos deixou o legado das correntezas.
áspero, ou liso?
a textura das árvores a gente agora conhece pouco.
temos lembranças.
que tudo fique liso, escorregadio, despenque em quedas d'água.
parece ser assim a querência humana.
moderna, contemporânea.
um bonito de espelhos refletindo a inconsequência querida.
corre, corre, corre e fico aqui, escorregando em pé

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

nariz

a raiz dos problemas é a caminhada até as soluções.
é admirável saber que a etiqueta é uma pequena ética.
bem no dia em que minha mãe disse não haver mais obrigado, ou bom dia.
há.
e é tão bonito quando há.
a raiz alicerçando de tal forma que não seja a causa de tantos problemas.
havia um trilho para a água correr, mas foi água demais.
foi inconsequência demais acertar o menino torcedor.
fogo demais, tanta coisa demais.
um pouco menos de mim e um pouco mais de colagem e caneta sobre a mesa.
a raiz, caminhando aqui para o fundo, abrindo espaço para a beleza que anda e anda, para inspirar tudo, lá fora

domingo, 24 de fevereiro de 2013

gargalhadas

ainda bem que no brasil o sucesso vem - muitas vezes - das coisas que fazem boa parte das pessoas darem muitas risadas.
rimos de muitas coisas.
sorrimos as vezes com pequenas aparições.
acreditamos em luzes, faróis baixos e altos, lanternas.
cremos em luminárias com desenhos bonitos e naquelas mais simples, com cúpulas feitas com filtros de café.
ilustrei uma vez um livro.
todas as imagens - nele - são circulares.
o interesse veio após o amor ter me mostrado o cartaz oficial da copa.
ri com a semelhança de ideias.
ri porque rico ri a toa


sábado, 23 de fevereiro de 2013

feijão

feijoada vegetariana, onde beringelas fazem o tipo calabreza.
lonas de cobertura que fazem o tipo garagem.
lápis grafite que recuperam as formas de galhos.
uma caneta que desenha em três dimensões, mesmo.
trinta dólares.
tive a ideia de fazer uma sapatilha com cola quente e a sandália já existe de outra forma.
a letra vermelha apareceu depois que eu coloquei goiabada dentro da massa do bolo de fubá.
essas coisas todas juntam-se nessa história de vida.
essas vidas que são uma colação de histórias.
achei adorável quando, na linguagem portuguesa, não diferenciamos mais estórias de histórias

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

re seita

uma xícara de farinha de trigo, uma xícara de leite e um ovo.
sal a gosto.
agosto é o mês da arte louca mais comportada.
dar sabor às coisas é uma tarefa prazerosa e, portanto, saudável.
panquecas são melhores que enxaquecas.
desse mal não padeço, mas no blá, blá, blá é que eu transpareço.
um blá no pé do ouvido é um zumbido que vai se intensificando até dar conta de resolver ao máximo a questão.
ler um texto tendo que ultrapassar a barreira de um papel semi transparente é difícil, mas a sensação é inestimável

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

falando

arte não é linguagem.
arte é uma ideologia atípica.
ela acontece pelas cabeças que têm ideias fora da ordem estabelecida por qualquer sistema típico.
ela quer conversar, quer comunicar.
sua fala é desorganizar o organizado e orientar o desorganizado.
atípica.
fala do belo e do horroroso, busca, encontra e não se satisfaz nunca com o que foi encontrado.
algo foi encontrado?
que ele se perca de novo e possa ser reencontrado de outra forma.
ideia simples e por tudo isso, bastante complexa.
vai encarar?
encare-se, pois da minha aperência cuido eu

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

calorosamente

mais um dia caloroso.
arte não é linguagem, é uma ideia com esse ideal não bem definido.
desarrumação.
construir um edifício a partir de pedaços soltos de tijolos indecisos.
o edificante prédio deve ter uma beleza equivocada, nômade e com tudo isso deve ainda ser belíssimo.
essa beleza que pertence a cada um e multiplica-se no todo.
todo dia é dia de edificação.
a função da arte é essa, o desentender-se no entendimento impreciso do outro.
nem tudo o que se faz é arte, não é mesmo, mas essa imprecisão é fantástica.
você quer assim?
quer assado?
o apressado come cru, ou frio?
essa salada pode ser uma natureza morta, fixada à óleo e verniz

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

com provas

mais um dia comprovando que eu adoro essa coisa.
professar ideias no ideal sem medida que é o relacionamento humano.
uma voz, uma vez, uma expressão da face.
os assuntos são muitos e a arte vai se confirmando como ideia e não como linguagem.
uma das linguagens da arte é o desenho, outra, a música.
há duas semanas atrás dei um exemplo falando numa língua estranha e hoje, a menininha artista começou a versar comigo na tal da língua.
entendemos a importância da lembrança.
não todos, mas esses que - como nós -  teimam em idolatrar a dúvida

sábado, 16 de fevereiro de 2013

filme

uma sequência de imagens.
hoje decidi me copiar bastante.
deu vontade grande de andar com uma caneta preta para desenhar em tecido.
preferencialmente desenhar sobre roupas.
repetir, repetir e repetir sem ser igual jamais.
parece que tenho um estilo comprovado desde que ilustrava textos para o suplemento cultura..
carrego um estilo que tem sido bem popular, cheio de arabescos e detalhes espirais.
descobri porque as canções populares têm em média três minutos e meio.
descobri que devo desenhar mais pelo mesmo motivo.
descobriram por mim e eu, resolvi tirar da cartola soluções diversas.
adoro ouvir falar sobre soluções de situações problematizadas.
equacionar valor e atitude

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

bolim

ou bola, ou bolim.
no jogo da bocha é tudo, ou nada.
procuro não andar nesse jogo.
assim que a coisa se apresenta eu relevo muita coisa, afinal o mundo das pessoas é muito diverso.
sou assim e gosto, acho bonito.
nasci achando bonitas as coisas relevantes.
há muito tempo, lá atrás, foi perguntado a um aluno como se dividia o relevo brasileiro.
ele respondeu prontamente:
trissílaba paroxítona, re, le, vo

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

um mais todos

pensar o coletivo.
raciocinar no coletivo.
o público não é privado da nossa individualidade, mas eu - indivíduo - não posso nem devo apropriar-me do que é público.
devo voluntariar-me mais com o público, com a coisa pública, um mais todos, semfaltar nenhum.
o que é meu deve ser compartilhado com alegria e viscosidade.
nada líquido, ou liquefeito.
o feitio deve ter a cara múltipla das multidões.
como é difícil me soltar e nadar um oceano todo inteiro

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

adornos

isso é para enfeitar,
adoro o verbo enfeitar.
colocar algumas coisas pra dar um jeito diferente e bonito.
também adoro saber que em arte, nem tudo precisa ficar bonito.
a ideia é necessária.
adoro também a eterna discussão se artesanato é arte.
tudo isso faz parte da minha vida voltada a ficar eternamente pensando nessas coisas que para muitos não têm a menor importância.
eu acho bonito.
até a preguiça de começar as frases com a regra das maiúsculas

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

não é feriado

segunda não é feriado.
hoje é dia de carnaval de rua.
o número de carros é muito menor que o habitual.
o pi das questões nos fez ter a ideia de caminharmos até o cinema.
ver as fotografias em movimento.
colocamo-nos na paisagem urbana fotografando os minutos.
hoje é o dia do tigre.
dia de barco nos levando à outra margem.
passa um filme na minha cabeça quando eu resolvo pensar por um instante.
quando eu penso o dia inteiro, só me passam equações e passatempos

domingo, 10 de fevereiro de 2013

washed

she is need washed.
ao ser perguntado sobre a calça que estava colocada sobre os quadros, essa foi a minha resposta.
e saí dizendo que eu adoro o meu inglês.
quando eu pensei no she, logo me dei conta que para coisas se usa it.
it's need washed.
acabo de me lavar no todo.
se o costume indígena do banhar-se diariamente é verídico, adoro parecer-me com os índios.
ontem assisti uma película onde um índio amazônico diz que seus ancestrais já esperavam os filhos do sol que viriam para trazer perigo com seus canos.
fiquei imaginando a viagem mental desses homens e mulheres que previam as catástrofes humanas.
a natureza é fantástica.
somos sobrenaturais?
é claro que não.
somos apenas um abismo entre todos os que vivem naturalmente e nós, que teimamos em achar razão nas proteínas e nos aminoácidos, tentando esticar um pouco, a sobrevida daquilo que naturalmente é perecível

sábado, 9 de fevereiro de 2013

ondas

pegar a onda alta.
caminhar sobre as águas.
não ter medo da tempestade e crer.
acreditar no potencial emocional e técnico.
aprender fazendo e ouvindo um mestre.
pegar o barro e - no acúmulo de material - representar uma figura.
não uma figura qualquer, mas aquela que se deseja, ou aquela que deseja ser apresentada.
eu não represento o visível.
eu o transformo, modifico um pouco, ou muito e apresento a matéria nova.
um aluno pequeno em idade me perguntou se eu acreditava na possibilidade de criarmos coisas novas em arte.
o novo sempre vem e a gente pode participar do processo mesmo com idade avançada.
o desodorante avanço não está sendo mais fabricado.
pretendo manufaturar o avanço e perfumar o nosso espaço

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

signos

o que significa mesmo?
queter o conhecimento dos códigos é imprescindível para compreender o significado daquela coisa.
a comunicação é difícil também por isso.
eu gosto de aprender os códigos e gosto de imaginá-los em funcionamento.
um brac ads afts pode ser muito mais do que um idioma.
um vaso pode ser muito mais do que um depósito de terra fértil

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

fêmea

a vida é fêmea.
ela gera, gera, gera e cuida.
o abu sempre pergunta no seu programa dominical:
O que é a vida?
penso que ela é fêmea provocadora.
adorei ter escrito que a gente tem culpa e quem nos julga somos nós mesmos.
quem pensa geme.
a gema da vida se nutre a si mesma, teimando oportunizar-se aos outros.
eu sou o outro da vida, tendo oportunidades.
outros tantos também o são.
vida fêmea que ensina com seu instinto maternal.
no seu instinto pródigo nos ofereceu o nosso irmão gêmeo, o tempo.
O masculino ente que também ensina.
aprender é para os mais fracos, como eu

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

amola

acabei de ouvir falar sobre amolação.
do verbo amolar.
uma parte atritando-se à outra a fim de proporcionar mais corte à lâmina.
parece-me que a analogia é feita para uma amolação que deixará todos melhores.
a mola.
num episódio de tv que desvenda os crimes e os criminosos, acabei de ouvir que o sentimento de culpa, afina a pessoa a a deixa melhor.
é ela própria quem a julga e a aprimora.
amolação.
gota a gota um papo firme segue amolando.
o óbvio jamais é óbvio para todo mundo.
quase que a revolução francesa ocorre simultaneamente à revolução industrial.
essa data-se em 1870 e a outra 1879 e a gente permanece incertamente nos amolando com as mais gratas intenções

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

cuida

parabéns aos cuidadores.
cuidando das coisas delicadas como delicadas elas são.
não se acerta sempre e acertar é bem difícil.
compreender as coisas delicadas é tarefa difícil de igual maneira.
consegui num gesto segurar uma xícara de café, perdendo dela apenas uma gota.
a delicada e bonita estampa oriental conseguiu manter-se plena.
o relógio da escola estava adiantado três minutos.
bastou um pequeno movimento manual e agora ele está alinhado com o sinal.
sinal dos tempos

domingo, 3 de fevereiro de 2013

entra e sai

entradas e saídas.
sonho e realidade.
dúvidas, dúvidas e certezas.
o meu caminho quem faz sou eu e sou eu que tenho a responsabilidade de adorná-lo.
cabe a mim escolher as pedras, a argamassa, o concreto e as telhas, para dar o melhor acabamento.
isso também - o acabamentto -  é deveras relativo, já que uns gostam dos olhos e outros da ramela.
para mim, entrada e saída é a mesma coisa, talvez por isso seja tão difícil escapar das armadilhas distribuídas ao redor da construção

sábado, 2 de fevereiro de 2013

guarda

guarda baixa expõe.
alguém disposto a bater, bate mesmo.
sou eu que vou andando pela calçada de largura grande, tingindo meus pés com as calçadas esburacadas e muito menos largas.
largas na frente quando suas pernas são mais longas.
entre tantas possibilidades de grandezas, eu fico com todas, desde as mínimas até as máximas.
não há outra saída senão essa que tem muitas portas e janelas.
uma casa também é conhecida radicalmente pelo seu telhado e pelo seu alicerce.
o miolo vai sendo reformado todo dia.
mosaico de estrelas e terra

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

tarso

Ando pensando no metatarso.
Um local onde os dedos dos pés sustentam-se.
Não é bem sustentação, mas é algo próximo.
Uma dor que fisga e arde.
Essa dor eu conheço de falar.
Uma dor que aparece quando o jeito de pisar não é correto.
Por um motivo, ou outro.
O caminho é longo e há que o fazermos a pé.
Dores, sustentamos.
Um pé de tomate nasceu num vasinho e promove tomates pequeninos.
O que têm de pequenos, agigantam-se na doçura

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

bolsa

trago os meus valores na bolsa.
espero vê-la aberta, escancarada.
minhas atitudes aparecem como seu eu tivesse um conta gotas na mão.
o entendimento é lento, mas a compreensão existe.
se a ideia é que eu me sinta et, eu sinto a ideia.
estou sentindo um pouco a garganta, já que estava inexperiente com o discurso.
o que eu faria se tivesse um ofício das oito às dezessete com uma hora de almoço?
seria um et diverso.
o mundo é redondo e a minha cabeça um ovo.
arrrenta, casca que segura o filho

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

tudo

você veio aqui só pra isso?
não, eu vim pra tudo isso.
impossível medir a intensidade da atenção.
eu quero sempre comunicar um conceito e o conceito é a ideia.
um amigo emocionou-se ao me ver com a camista da escola de arte que tem na estampa um desenho que criamos juntos com o auxílio de uma ferramenta digital.
eu havia acabado de falar com meus alunos sobre os registros das ideias.
diário de bordo.
tudo o que vejo, relato e transformo cabe na colado na minha pasta mutante, que anda no banco de trás do meu automotivo.
amanhã verei colado na pastola - um treze - que encontrei grudado na sola do meu tênis

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

conheça

ao ler uma frase, perguntei pra mim mesmo se é necessária uma inteligência própria para conhecer a arte?
a frase garantia que a compreensão da figura divina necessita de uma inteligência especial dedicada à ela.
o conhecer aqui significa ir ao cerne, ao âmago, ao mais íntimo e interno da coisa.
no mesmo instante que vi um pote de mel lacrado, enxerguei o doce sabor do encantamento que é ter a mania de ficar tendo ideias.
falo com os braços e as pernas inquietas e, vez em quando, falo com a abelha que ama a flor para tirar dela algo que espalhará o encanto.
uma inteligência assim, ama a dúvida.
é assim que me sinto à vontade para imitar o mãe, que usa apenas minúsculas.
uma ideia assim não estabelece normas fixas, mas cordas bambas.
é preguiça de apertar a tecla fixa.
eu posso falar muito disso, afinal sou medroso, controlador e não gosto quase nada de mudar o rumo da prosa.
essa dicotomia talvez seja uma inteligância tola que em mim transita

fumaça

Jovens e velhos divertem-se.
A diversão é variada, tem de todos os tipos.
Há que se gostar bastante, sentir alegria, prazer.
A gente nunca se satistaz, afinal, enquanto houver vida há vontade de seguir adiante, divertindo-se.
Vertendo não duas, mas inúmeras vezes.
Assim é viver com energia.
Variados são nossos vacilos.
Variados são os vacilos de alguém que na inconsequência, faz.
A ação impensada convoca acidentes e outras coisas feias.
A feiúra e a beleza andam na corda do senso.
Tenho certa predileção por água mineral.
A consequância é igualmente variada

domingo, 27 de janeiro de 2013

ave nidas

As aves todas teem sua morada que elas próprias tecem.
São coisas conhecidas como ninhos.
Umas juntam folhas, restos de galhos, terra, saliva.
Algumas viajam para lá, outras para outro canto, outras sobrevoam a mesma estância.
Fazem ninhos.
As aves são vertebradas e as vezes param no chão, em árvores, nos fios.
A corda é esticada e nela, grudam suas garras.
As aves podem ser retratadas à tinta, ou em fotografias.
Há outras formas de retrato, porém, muitas vezes, o movimento das asas é tão rápido que a imagem fica desfocada nesse ponto

sábado, 26 de janeiro de 2013

pensar

Na escola moderna todo mundo aprende.
Professores, alunos, diretoria, enfim, todos aprendem.
Eu aprendo pelas formas mais fáceis e pelas mais difíceis.
Um funcionário da manutenção me ajudava na tarefa de colocar uns panos no fundo de uma cena.
Ao terminarmos eu disse a ele:
Você percebeu que eu não gosto de deixar tudo igualzinho, de um lado e do outro?
E ele me respondeu:
Professor, tudo igualzinho não sobra espaço para  o pessoal pensar.
Eu aprendo

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

E agora?

E agora, Senhor Respeito?
Os alunos não fizeram tarefa.
A tarefa mais linda é conviver.
Tarefa dificílima, já que as palavras são incompreensíveis.
Muitas e tantas vezes.
Viver em conjunto, admirar, achar bonito e as vezes achar até bem feio.
E dizer, arder, suavizar, apresentar de uma nova forma.
Pintei uma garrafa de azeite com tinta fosca marrom.
A garrafa pintadinha de estrelas.
E nela não há mais azeite, porém está cheia até a boca

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Há muito tempo ouvi a piadinha:
Cavei, cavei, cavei e cavei.
Pode não ser romântico, mas é profundo!
Acho quase impossível a nossa mente se encher da imagem.
A pá, a terra, o buraco.
A escola é o lugar privilegiado para apresentarmos as coisas que nos cercam.
Apresentar o mais óbvio e o nem tanto.
Apresentar para que as pessoas de todas as idades possam representar.
Possam apresentar de novo e das mais variadas maneiras.
Apresentar as coisas de forma artística é fantástico, já que quase sempre que assim acontece, apresenta-se ao mundo algo que ninguém viu daquele jeito.
Cavei, cavei, cavei e cavei.
Encontrei dentro da areia fina, um siri-patola

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

alunos eu

Ao participar de uma reunião pedagógica, li um texto.
Lá pelas tantas o texto diz que o aluno é um indivíduo que se divide em três partes: razão, emoção e corpo.
Na mesma hora fiz a conexão com o nome desse sítio.
A casa da razão mágica.
Somos assim e todos nós

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Hacer

Começando a colocar a mão na massa.
Integral.
É preciso sempre misturar alguma farinha de trigo a essa, anterior.
É sempre preciso lavar as mãos antes da mistura farinhenta.
Higienizar é oportunizar pra todo mundo.
Como seria lindo ver todo mundo com um pouco bonito.
Utopia linda e prazerosa, bela e formosa, pensante, acionante e viçosa.
Minha arte não existe fora dessa ideia.
Sem água não dá.
Amasso a massa e espero que asse de hacer bien