segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Lutos


O papai faleceu.
Três e trinta e três.
Essa frase já está na memória profunda.
A frase madrugadeira vinda de uma das irmãs.
Outro dia eu perguntei pra mim mesmo o que teria acontecido de muito ruim na minha vida.
Agora eu tenho a experiência da memória visual que faz doer na lembrança.
É só lembrar daquele homem de voz forte e jeito brincalhão, para que um aperto peitoral inimitável aconteça.
Uma dor que todos sabem que vai transformar-se durante o processo temporal.
Todos sabem e eu fiquei sabendo ontem.
Todos me disseram que o que temos que fazer a partir de agora é lembrarmos das coisas boas que o homem chamado de mestre - no futebol das quintas - fez durante a vida.
Que eu possa ser um pequenino representante do jeito empático e simpático dese homem presente.
Está doendo tudo o que entusiástica e expressivamente a gente brincava junto.
Nós dois somos feitos para brincadeiras inventadas para adiantar as coisas, para propor-lhes uma sequência mais ágil e engraçada.
Ligados na tomada.
Na mesma tomada que tem fiação aqui embaixo e ali em cima.
O homem inventou de ficar ligado no superior.
Esse touro, vai tetando nutrir aqui dentro e solto no chão de terra, a garra do leão risonho

sábado, 20 de agosto de 2011

Terço


Uma garrafa de água mineral.
Estou colocando dentro dela, uma a uma, as coisas que vão sobrando.
Vou enchê-la até a boca e até as tampas vou inchá-la.
Essa coisa literal, fará parte da mostra, da apresentação, do nosso cara a cara com tudo aquilo que vai me sobrando e vai extrapolando as necessidades.
Consumir oxigênio é imprescindível, é necessário, é urgente.
Vício vitalício.
Gosto de reutilizar, reaproveitar, transformando o observado e pensado - em inusitado.
Algumas coisas dentro do que vivo, revitalizo e acho ética e esteticamente viável.
O bonito e o feio, irmanados, se eles já não forem rigorosamente gêmeos.
Tradição e inovação, tradição ou inovação, e a solução dessa dialeticotomia permanece inalterada, girando em torno do faz de conta e do fazer parecer que é diferente, sendo que de longe se percebe a semelhança.
Talvez seja por isso que tudo o que faço, já vem com a certeza que alguém já fez bem antes e eu apenas desconheço.
Adoro pensar que fui eu que criei a dita, em pleno século vinte e um, com ainda mais gente pra pensar comigo.
Ter a consciência e a incerteza é o maior barato de ser criativo no instante hoje.
Ouvi dizer que nós todos temos pressa de realizarmos tudo ao mesmo tempo e que essa pressa nos faz cada vez mais ansiosos.
Estou ansioso por vê-la entrelaçando os fios com as esferas de plástico e ouro.
Rezo.
Anseio ter um terço, do seu ser inteiro

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Tendí


A arte que quem fez não quis.
Esse será o nome de uma exposição de fotografias que - eu e quem quiser - vamos participar.
Um diretor de escola disse - que lá fora - existe a televisão, a internet, a violência, a famíla, o trabalho e que aqui no colégio deveria existir algo diferente.
Achei o máximo.
Não foi o que ele quis dizer.
Ele quis focar na existência de professores estanques, que pararam no tempo e na sua formação inicial, porém, imagina mesmo, uma escola totalmente diferente do mundo de fora.
É o contrário de tudo o que se anda pretendendo no interior das instituições pedagógicas, afinal, cada vez mais, dentro delas, fala-se das relações com as famílias, da interação com as novas tecnologias, das questões da sustentabilidade do meio ambiente, fala-se dos vícios, das escolhas na sexualidade, das gozações entre os colegas de turma, o consumo desenfreado, enfim, o mundo de fora fazendo parte do conteúdo escolar.
Parece óbvio?
Então.
Fico a imaginar uma escola diferente do mundo de fora, aqui, no meu mundo de dentro.
E, inevitavelmente, esse meu dentro, cria coisas para surpreender tudo isso que rola fora dele.
Em mim cabe esse pensar uma coisa diferente, para ser diferente mesmo, sem rodeios, sem escaramuças, sem mercadorias e moedas de troca.
Mirei a câmera do meu celular para um detalhe.
Uma mancha de detergente sobre o piso lajotado.
Cliquei o desconhecido da ideia que o detergente faz do piso.
Estamos mandando para uma mostra de vídeos uma animação desenhística chamada Sopa.
Refere-se à sequência de transformações de uma letra para outra no alfabeto, de A a Z.
Sopa.
Sabe o que a sopa disse para o sapo?
Opa

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Nina


Que maravylha!
Um dia diferente de todos os outros.
Uma viagem tranquila, duas, irmanadas num espírito flexível de embelezar ainda mais aquilo que já é uma maravilha.
Aquela.
Aquarela sobre algodão na aptidão para aquosas delícias.
Uma mescla de destreza, graça e afinidade com os ideogramas.
Ideias em multigramas, quilos de inspiração e uma respiração frenética.
Todo o oxigênio fluindo multigrâmico na cerebridade angélica e calçada.
Calçada na fama de flamar bastante.
Verso anual, inscritos em muito mais do que trezentos e sessenta e cinco dias.
Uma oração inteira dedicada a fazedora de suspiros e panquecas.
Segundos e semanas, meses.
Suspensa no ar, solta por uma corda sol, atira-se em lá sobre a multidão de esculturas de sal.
O sal no sol é a temperância da moça que remoça e amálgama.
A salada de alface e tomate nos aproxima e aconchega.
Uma colcha doce e leve cobre a letra da canção do seu dya que assemelha-se a ser todo nosso.
O dya se diferencia pela companhia das digitais dos dez dedos das mãos diteitas.
Toca a campainha e nos alimento qual tomadas.
Tomamos juntos um gole do outro e batemos nossas palmas